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Gênesis: V. A Era do Caos


 Você sabia que o mundo do Tibia possui uma história de criação? E que todos os textos dessa história estão disponíveis no site oficial em inglês? Porém o Tibia Life chegou para fazer a diferença e iremos trazer todos esses textos traduzidos especialmente pra vocês, nosso leitores. Acompanhe as nossas traduções que sairão todas as quintas e conheça mais sobre a criação do universo tibiano!

Para acompanhar todas as traduções já disponíveis:




Uman olhou com tristeza para o dano que sua metade maligna fez com a criação na qual Fardos e ele tinham trabalhado tanto. Para ele, Zathroth tinha ido longe demais. No seu desespero, ele foi até Fardos para pedir um conselho. Juntos eles decidiram que seria melhor cortar a ligação entre Uman e Zathroth de uma vez por todas. Eles se prepararam para a tarefa com grande energia, e seus esforços logo foram coroados com sucesso. Entretanto, quanto mais fraco o vinculo entre Uman e Zathroth, mais fraco Uman ficava e, por fim, eles perceberam que a separação colocava a existência de Uman em risco. Finalmente a invocação foi abortada. Uman teve que aceitar o fato de que o vinculo entre ele e Zathroth não poderia ser quebrado e que seus destinos e suas existências estavam interligados por toda a eternidade.

No entanto, os esforços de Uman e Fardos não permaneceram sem consequências, pois, durante a tentativa frustada de separar o deus duplo, uma pequena parte se separou dele. Esse pequeno fragmento cresceu e se expandiu até que tomou forma e eventualmente se tornou uma criatura com sua própria consciência. Essa foi a hora em que nasceu Kirok, o Louco. Devido à sua ancestralidade peculiar, esse estranho deus tem uma natureza distorcida ou, como alguns dizem, esquizofrênica. Ele herdou a mente criativa e natureza inquisitiva de Uman, de modo que ele acabou se tornando o deus de todos aqueles que seguem o caminho da ciência e pesquisa. Entretanto, a característica pela qual Kirok é famoso é seu senso de humor distorcido. Ele adora o mal gosto e pegadinhas engenhosas, e essa característica peculiar faz dele o favorito dos bardos, bobos e todos os tipos de pessoas suspeitas.

Enquanto Fardos e Uman estavam trabalhando duro no seu feitiço, os servos de Zathroth destruíram a criação preciosa dos deuses anciões, e a devastação continuou sem parar. Parecia que o mundo inteiro estava condenado. No entanto, alguns dos deuses menores que já estavam cansados de só ficar olhando enquanto seu amado Tibia era devastado, decidiram resistir às hordas imprudentes. Bastesh, a Senhora do Mar, criou criaturas enormes e misteriosas que eram ao mesmo tempo elegantes e ferozes, e povoou seu amado oceano com suas criaturas para garantir que os lacaios de Zatroth jamais corrompessem suas águas puras. No entanto, ela pouco podia fazer para ajudar seus primos que moravam em terra firme. De todas as suas criaturas, as únicas que sobreviveram em terra foram as cobras esguias e venenosas. Crunor e Nornur também criaram criaturas para lutar contra as hordas de Brog e Zathroth: Crunor, o Senhor das Árvores, criou os lobos ferozes, enquanto Nornur equipou suas amadas aranhas com veneno mortal para torná-las mais poderosas.

No entanto, apesar de todos os seus esforços, os deuses não podiam criar criaturas que fossem páreo para as hordas implacáveis e bem organizadas que vagavam pela terra. Os couros dos lobos e os exoesqueletos quitinosos das aranhas não resistiram ao aço das lâminas dos orcs e, para cada troll que era derrubado pelo veneno, dois outros vinham tomar seu lugar. No final, os filhos dos deuses se retiraram para as áreas fáceis de defender: os lobos fugiram para as profundezas da floresta, enquanto as aranhas se escondiam nas cavernas. Lá eles continuaram suas lutas, defendendo seus reinos contra o ataque do inimigo superior. Essas pequenas resistências eram os únicos santuários em um mundo que afundava cada vez mais no caos. E o pior estava por vir, pois agora os dragões sentiam que havia chegado a hora de tomar o que era deles por direito!

Por séculos eles tinham se propagado e expandido em silêncio, em grande parte despercebidos por todas as outras criaturas. Mas, agora que Garsharak, o primeiro e mais forte de sua raça, os enviou ao mundo, não havia nada que os contivesse e não mostravam nenhuma misericórdia. Os exércitos dos orcs foram derrotados pelas incansáveis chamas de fogo mágico de dragão, e logo aquela orgulhosa raça de bárbaros, que até então não sabia o significado da palavra derrota, foi levada a se abrigar no subterrâneo. Seus aliados, os poderosos cyclopes, não se saíram melhor. Embora tenham conquistado várias vitórias notáveis usando suas poderosas armas e armaduras, eles também tiveram que ceder ao poder superior dos temidos dragões. Eles se juntaram aos seus antigos aliados, os orcs, e seus primos fracos, os trolls, em seu exílio subterrâneo. Suas orgulhosas cidades que foram construídas ao decorrer de séculos foram queimadas até o chão, e suas renomadas forjas foram perdidas para sempre.

Assim, os dragões haviam assumido o domínio da terra, mas a guerra não estava terminada. Seus amargos inimigos, cyclopes e orcs, ressentiam-se do que pensavam ser uma prisão nas entranhas da terra, e eles continuaram a luta de seus esconderijos subterrâneos. E, de fato, os dragões, que já haviam sido enfraquecidos no curso das batalhas anteriores, sofreram graves perdas. Mas agora uma guerra começou entre antigos aliados: os cyclopes e orcs competiam por comida e espaço em seus abrigos subterrâneos. E mesmo que nenhum lado fosse forte suficiente para superar os outros, a guerra continuou com a mesma força, e todas as raças sofreram muito na luta épica. A terra estava cheia de corpos e, enquanto parecia que a própria vida seria extinta da face do Tibia, as perdas de todas as raças envolvidas aumentavam em número. Era como se os vivos fossem se afogar nos corpos dos mortos.



Os deuses anciões assistiam enquanto a batalha cataclísmica continuava. Eles não sentiam piedade por aqueles que eram mortos, porque pouco se importavam com as criaturas de Zathroth, mas sabiam que estava faltando algo, que precisavam de alguém para cuidar dos corpos e almas daqueles que haviam perdido suas vidas. Eles começaram a procurar uma solução, e finalmente Uman propôs que um novo deus fosse criado, um deus cuja função seria cuidar dos mortos. Eles decidiram que a terra, que, de certa forma, era quem dava vida, deveria participar da retomada da mesma, e que Uman deveria ser o pai do deus recém-criado. Mas, lamentavelmente, os deuses anciões não foram tão cautelosos quanto deveriam e Zathroth o Destruidor, descobriu sobre seus planos cedo demais. Ele ficou fascinado com a ideia da morte desde o início, porque viu nela uma nova chance de trazer ainda mais devastação e destruição ao mundo. Rapidamente, ele arquitetou um plano cruel. Ele fingiu ser sua boa metade, Uman, para enganar a terra e, com ela, ele gerou outro deus: Urgith, o Mestre dos Mortos-Vivos. Essa divindade hedionda era devota à morte, exatamente como o deus que Uman e Fardos tinham em mente, mas não era o guardião benigno dos mortos que eles haviam imaginado. Em vez disso, Urgith era um deus cruel que se esforçava para infundir os corpos dos mortos com uma energia profana, condenando-os a um estado que não era nem vida, nem morte. Assim, a hora do nascimento de Urgith marcou o início dos mortos-vivos.

Em pouco tempo, inúmeros ​​mortos-vivos vagavam pelo mundo. Afinal, o Tibia ainda estava coberto por inúmeros corpos de orcs mortos, cyclopes e outras criaturas, o legado dos muitos anos de guerra incessante. Esses cadáveres forneciam a Urgith o campo de recrutamento ideal, e ele avidamente transformava todas as carcaças que podia tocar em seus servos macabros. Os deuses assistiam horrorizados enquanto essa nova praga devastava sua amada criação. Eles correram para finalmente colocar em prática seu plano inicial, e Uman uniu-se à terra para criar Toth, o Guardião das Almas. Sua missão seria guiar com segurança as almas dos mortos para o outro mundo, onde eles descansariam em segurança na paz de um eterno sono sem sonhos, enquanto os vermes, seus servos fiéis, aglomeravam-se para devorar os corpos que se espalhavam pela face do Tibia. Mas o estrago estava feito e, mesmo com Toth e seus servos fazendo o melhor que podiam, as terríveis criações de Urgith continuavam a vagar pela terra. Todas as outras criaturas, que já estavam muito enfraquecidas por suas intermináveis ​​guerras, pouco podiam resistir ao novo inimigo que aumentava em força a cada perda que sofriam. Parecia que o Tibia estava condenado a ser um mundo habitado pelos mortos-vivos.

Os deuses anciões viram o que havia acontecido com seu mundo, e seus corações se encheram de tristeza e rancor. Eles sabiam que, se eles não agissem agora, o Tibia estaria destinado a se tornar um túmulo, e então eles começaram a procurar por uma solução. Por fim, eles concordaram em tentar criar uma raça com consciência própria, uma raça que seria forte o suficiente para lutar contra as hordas que devastavam seu amado mundo. Então eles criaram tal raça e a enviaram para o Tibia. Mas, lamentavelmente, os lacaios de Urgith eram fortes demais. Sua raça foi derrotada em uma geração e foi varrida da face do Tibia. Assim, Uman e Fardos criaram raça após raça, e raça após raça foram dominadas pelas abominações cruéis que Urgith havia lançado no mundo. A maioria dessas raças desapareceu da face do Tibia para sempre, deixando apenas lendas melancólicas e misteriosas ruínas. Hoje, esta triste época, conhecida como a Guerra dos Cadáveres, em grande parte, é envolta em mistérios, e as infelizes raças que foram destruídas são agora referidas como os anciãos.

No entanto, nem todos os anciãos foram erradicados na luta feroz. Pelo menos, duas das raças criadas pelos deuses anciões no curso desse conflito épico conseguiram escapar da destruição e sobreviver até hoje. Uma delas são os elfos, criaturas delicadas que podiam lidar com arcos e instrumentos musicais com a mesma sagacidade. A outra são os anões, uma raça robusta de mineiros e ferreiros talentosos. Ambas as raças lutaram bravamente, mas ambas tiveram que se render ao poder perverso de seus inimigos, e foi só ao fugir para lugares seguros que conseguiram sobreviver. Os elfos, após muitas dificuldades, procuraram abrigo nas profundezas insondáveis ​​das florestas, enquanto os anões entrincheiraram-se em suas fortalezas impenetráveis ​​nas profundezas das montanhas do Tibia. Lá, essas raças esperaram por tempos melhores, lamentando amargamente o destino cruel que havia lhes enviado para este mundo terrível. Mas, ao menos, eles sobreviveram. Todas as outras raças antigas foram aparentemente sentenciadas ao esquecimento, embora ocasionalmente se afirme que existam outros sobreviventes.

Apesar de toda a sua força, essas raças tinham uma falha importante em comum: elas não tinham flexibilidade. E isso provou ser fatal na guerra contra o inimigo implacável que eles estavam enfrentando. Aqueles que não foram aniquilados sucumbiram às tentações de Zathroth. Mais de uma das raças anciães caíram nas astutas promessas de poder e conhecimento de Zathroth, e diz a lenda que os deuses anciãos puniram brutalmente muitas delas por sua traição. Existe até uma teoria persistente de que alguns indivíduos dessas raças anciães mais tarde foram transformadas pelo desonesto Zathroth nos primeiros demons. Seja como for, todas as raças anciães falharam no que diz respeito a cumprir as expectativas de seus criadores: uma por uma, elas foram subjugadas pelo inimigo, e as hordas seguiam andando pelo mundo. Mas os deuses anciãos aprenderam com seus erros. Sua próxima criação seria adequada para a tarefa. E eles os chamaram de humanos.

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