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Nas Mãos do Destino



Nem sempre a vida parece caminhar por um rumo certo, tão certo como uma trajetória em linha reta que do ponto inicial pode ser visto o seu final. Alguns acasos podem acontecer nesse percurso desviando tal trajetória de modo a dar novo significado ao desfecho de uma história, ou como outros preferem dizer, um novo destino. Não raras são as oportunidades em que uma descoberta é anunciada ou uma invenção vem ao mundo para despertar diversos sentimentos como de conquista ou de superação, ocasionadas por um fato que se encarregou de mudar o curso daquilo que só não aconteceu ali porque ainda não era o momento, dando um tom mais interessante para o desenrolar dos acontecimentos. E foi em Thais que tudo começou.

Christian Lowel, filho de uma família de banqueiros muito conhecida por sua fortuna e natural do próspero reino de Thais, após concluir seus estudos sobre matemágica e astrologia financeira na respeitada Academia de Edron, retornou à sua cidade natal para fazer a felicidade de seus pais casando-se com Nathalie Hart, nascida em berço de ouro cuja família detinha muitas terras e figurava na alta sociedade de Liberty Bay com um negócio muito promissor baseado no plantio e comércio da cana de açúcar. A união certamente resultou no aumento do patrimônio das duas famílias e no prolongamento de fronteiras incorporando Liberty Bay ao Reino de Thais.

Passados alguns anos, após um período de gestação muito conturbado pelos intensos ataques de piratas à cidade onde a família escolheu para morar, numa residência próxima da casa dos pais de Nathalie, nasceu Drew Lowel Hart, mas, infelizmente, devidos às complicações no parto, a mãe faleceu, deixando todos muito tristes e inconformados. Dia após dia o menino foi crescendo e demonstrava interesse pela música, as duas famílias sempre se empenharam para dar o melhor para o menino, que, na intenção do pai, deveria seguir seus passos, mas Drew escolheu a música para se dedicar e foi estudar em Ab’dendriel, onde estavam os melhores músicos daquele tempo.


Aluno esforçado que era, destacou-se pela criatividade de extrair sons diferentes a partir de vários tipos de madeiras e outros materiais abundantes nas redondezas produzindo seus próprios instrumentos musicais. Formou-se em grande estilo com muitas homenagens e a certeza de ser um excelente músico na especialidade de produção e audição de tais objetos. Um grande orgulho para sua família. Seu pai, Christian, vez ou outra escrevia pedindo que seu filho retornasse a Thais para empreender negócios consigo, pedidos sempre negados devido às atividades e compromissos assumidos em Ab’dendriel. E novamente o destino se revelava cruel com Drew, pois, alguns anos mais tarde, a vida de Christian teria um fim misterioso e trágico.

Com a morte do pai, Drew deixou a administração dos negócios da família sob a responsabilidade de seu tio Karl Lowel em Thais para estabelecer uma fábrica de instrumentos musicais e uma escola de música em Carlin, uma cidade próxima, com parte do capital da família levando sua aptidão e sua música para junto de outros povos. No entanto, sua habilidade com os negócios não era a mesma para com as artes sonoras. As coisas iam bem, os cidadãos de Carlin estavam animados, havia muitos frequentadores na escola de música e as vendas de instrumentos eram satisfatórias, mas faltava-lhe algo. Ele buscava a acústica perfeita de um instrumento que pudesse agradar até mesmo os reis e rainhas de todo o mundo conhecido.

Drew fazia desenhos de uma caixa com engrenagens, projetos de um instrumento sem igual, invejável até mesmo para os elfos de Ab’dendriel e que tocaria notas perfeitas numa sonoridade tão agradável jamais ouvida. Foi quando vieram tempos difíceis. Com a escassez dos recursos essenciais para a fabricação de instrumentos em escala industrial, os negócios sofreram queda ano após ano sem que Drew agisse adequadamente à crise que só se agravava. Paralelamente a isso, a inquisição massificava a convocação de homens para composição de exércitos a fim de combater as forças maléficas enquanto confiscava bens para servir ao propósito da guerra iminente. Em Liberty Bay a situação também se agravava, pois, com a seca nas plantações de cana de açúcar, não havia produto para comercializar e o apoio que era esperado para sair da crise não chegou a tempo.


Arruinado, Drew se sentia envergonhado de sua posição atual e, não querendo voltar para a família se sentindo um fracasso, abandonou Carlin com alguns instrumentos, poucas moedas e alguns projetos inacabados, dentre eles o da caixa de música, seguindo rumo a Darashia onde buscou exílio às vistas de todos que conhecia. Transitava com seus poucos pertences, cruzando o deserto como um mendigo, se passando até por nômade para se proteger, através da região montanhosa, viajando a pé ou acompanhando caravanas, inúmeras vezes para Ankrahmun e retornando a Darashia por anos. Em cada parada fazia apresentações com seus instrumentos levando sua música para os povos do Oriente. Certo dia, alguns comerciantes em uma caravana o encontraram morto e, sem saber de quem se tratava, levaram seus pertences para trocar por algo de valor em Darashia. Dali, os instrumentos seguiram para Venore e foram comprados por elfos que vinham de Shadowthorn com destino a Ab’dendriel por terem sido reconhecidos como legado de Drew, copiados, produzidos novos e vendidos hoje em dia por Elvith.

E mais uma vez o destino se encarregou de dar novo rumo à ideia que revolucionou a história da música em terras tibianas, fazendo com que, num dia qualquer, os já esquecidos projetos que Drew sempre carregava consigo tivessem novo dono. Rashid, com seu comércio ambulante, vagava entre várias cidades oferecendo e comprando itens que fossem do agrado de seus clientes, levando e trazendo objetos e todo tipo de coisas que pudesse ter algum valor ou atiçasse a curiosidade de quem com ele negociava. Numa dessas, um habitante de Darashia mostrou-lhe uma pasta com vários projetos engenhosos de um artefato muito curioso jamais visto. Eram desenhos que informavam detalhes de sua construção, ideias e muitos cálculos misturados com conhecimentos de engenharia mecânica e partituras musicais. Rashid prontamente se mostrou interessado e adquiriu o material que, mais tarde, foi deixado na biblioteca de Edron por falta de compradores que se prontificassem a estudar os escritos.

A pasta ficou lá guardada em meio a muitos outros projetos, estudos e teorias que iam de mecânica à astronomia. Empoeirados, os projetos amargaram lenta e demorada espera, intactos, por várias gerações. De tempos em tempos a famosa academia de Edron formava novos inventores e profissionais em todos os campos do conhecimento que vinham de toda parte estudar ali e adquirir novas técnicas. Certo dia, chegou à cidade um jovem dwarf vindo de Kazordoon, chamado Hilbert Spark, para aperfeiçoar suas técnicas relacionadas à mecânica dos movimentos. O estudo tinha o propósito de adaptá-las posteriormente para engrenagens a vapor quando fosse a hora de retornar à sua cidade e se tornar um technomancer como outros da sua raça.

De acordo com a cultura anã, “os technomancers normalmente só escolhem uma profissão que esteja diretamente relacionada com a mecânica. Até mesmo um agricultor pode seguir os caminhos da technomancia para aplicar todos os tipos de máquinas em sua profissão, mas isso é uma ocorrência realmente rara. Technomancers não são muito populares na sociedade dos anões. Apenas um bocado de technomancers e talvez uma boa dúzia de aprendizes. Os outros anões respeitam os technomancers, mas costumam pensar neles como, pelo menos, estranhos. Por outro lado, a sociedade anã acolhe invenções technomancers. Para os anões, a adaptação de novas tecnologias é um processo lento”. Tanto é verdade que foi registrado no livro intitulado: "A Arte dos Technomancers, vol. 1".


Entre tantas pesquisas realizadas na biblioteca, Hilbert se deparou com uma pasta contendo vários projetos desenhados de uma caixa de músicas movida por engrenagens mecânicas minúsculas, que, encaixadas umas nas outras, giravam sobre eixos e faziam o movimento de duas figuras humanas dançarem ao som de melodias. Tudo era acionado por um dispositivo na parte frontal da caixa dando partida ao movimento cíclico das peças que compunham o artefato, pelo qual ficou maravilhado e se interessou muito em estudar. A partir de então, passou a desenvolver seu trabalho com base na descoberta. Sem dúvida, uma tecnologia inovadora.

Após reunir todos os materiais necessários, ele começou a construir a caixa. Foram muitas as tentativas, pois a precisão de todo o sistema deveria ser alinhada perfeitamente para que os movimentos acontecessem de maneira coordenada com a música e a dança. Enfim, a caixa de música ficou pronta e, apesar do fato de que os technomancers fossem muito reservados ao compartilhar seus conhecimentos com estranhos, essa era uma invenção muito especial para ficar em poder de apenas um povo.

Sendo assim a caixa de música original idealizada por Drew e construída por Hilbert, foi exposta no museu de Thais para que todos pudessem contemplar a magia da música associada com a arte da dança. E todo domingo a exposição fica aberta ao público por um valor simbólico cobrado apenas para despesas de manutenção do local.

Hilbert, em nome de quem quer tenha começado aqueles projetos, gostaria de levar o sonho tornado realidade a todos os cidadãos do mundo conhecido, fossem eles dwarves, elfos, humanos ou de outras raças para demonstrar que não há barreiras para o conhecimento e que a música pode unir os povos.

Uma história antiga contada por um jogador antigo.
Fester Adams, natural das terras de Calmera, esse mesmo que vos escreve enquanto a criatividade permitir. Espero que tenham curtido e não deixem de acompanhar nossas atualizações nas redes sociais. Até mais.

4 comments:

  1. Desatento - FerobraMay 24, 2019 at 6:09 AM

    Ótima leitura pela manhã! Como um amante de música, fiquei totalmente imersivo na história, passando por várias cidades e culturas/raças diferentes.

    Desatenciosamente, Desatento.

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    1. Agradeço sua atenção =P
      Fico feliz pelo comentário.

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  2. Muito bom, toda hora me perguntava se fora fruto da imaginação de um jogador ou se fora retirado de algum livro tibiano. Pelo jeito, foi os dois... quando cheguei ao final logo reconheci o nome de Fester Adams, que tantas vezes vi em Calmera ao longo dos anos, maa numca cheguei a trocar uma palavra rs parabéns pelo texto, espero por outros.
    ~~Hagaugeo

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    1. Muito obrigado. Fico feliz pelo comentário incentivador. =)

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