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Artigo do Mês - Baixa

Esta é a continuação da história do herói tibiano, Tibicus. Clique nos links abaixo para ler os capítulos anteriores:

1. Chuva 2. Resgate 3. Desespero 4. Problemas 5. Rivalidade 6. A Entrega 7. Acerto de Contas 8. Reunião 9. Incêndio 10. Impressões

Beefo fez um acordo com o Diabo e teve que pagar o preço por sua ignorância. Enquanto isso, ninguém sabe onde está Fridolin. O que aconteceu com ele quando os demônios chegaram a Venore?

A resposta fez seu sangue gelar. Ele já tinha um pressentimento, mas ouvir Beefo falando esse nome maldito despertou uma montanha-russa de medo, desespero e raiva. Ele realmente fez isso. A sua ganância insaciável o levou ao ponto de fazer um pacto profano com esse monstro. Aquele louco, cujos atos hediondos e desprezivelmente cruéis fizeram milhares de tibianos sofrerem por décadas. 

"I-is-isso significa..." Tibicius gaguejou.

"Isso significa que o seu precioso chapéu retornou para o seu antigo dono", Beefo completou sua frase.

A confirmação do seu mais profundo medo silenciou Tibicus. Normalmente, ele levantaria sua espada bem alto e acabaria com tal vida miserável com um único golpe. Em vez disso, ele ficou apenas parado lá, com o olhar distante, passando pelos restos chamuscados da cidade, para o venenoso vazio dos pântanos. Seu olhar estava vazio. Vazio e inexpressivo.

Impulsionado pela ausência mental de Tibicus, Beefo começou a levantar seu tronco: "Sabe, Tibicius... Foi tudo por esse momento. Esse momento de absoluto prazer em arrancar esse sorriso presunçoso do seu rosto e presenciar sua derrota esmagadora... Seu bem mais precioso se foi. Para sempre. E fui eu que o arrancou de você. Você está acabado, Tibicus. Eu venci. Vamos lá, admita!"

Tibicus respirou fundo.

“Você venceu e ainda assim perdeu tudo,” Tibicus suspirou.

“Olhe ao redor Beefo... Veja as consequências do seu patético jogo de poder! Nós estamos de pé sobre as cinzas dos seus capangas. Você quase acabou como uma baixa também. É ainda mais irônico que fomos nós quem tiramos você das garras da morte.

Que grande líder você é...

Tenho certeza de que os poucos sobreviventes deste massacre ficarão muito gratos a você quando perceberem que foi você que os guiou conscientemente até a morte certa.

É você quem está terminado, Beefo! Seu antigo império está em ruínas. Toda esta cidade não passa de um enorme cinzeiro. Mas claro, vá em frente, seu ego deve ter atingido seu ponto mais alto de todos os tempos neste exato minuto, saboreie este momento tanto quanto puder, você merece!”

Ele dirigiu seu olhar com desprezo para seu adversário, que apenas olhou de volta sem falar nada.

“Você sabe... Você sabe se Fridolin sobreviveu?”, hesitante, Tabea finalmente quebrou o silêncio depois de um tempo.

Beefo bufou e sacudiu a cabeça. “Você é uma garota especial, sabia disso? Depois de tudo que eu falei sobre esse cara, você ainda quer saber se ele sobreviveu? Você é realmente uma causa perdida. Entretanto, na ultima vez que o vi, seu garoto bonitão estava bem vivo, sim. Mas quem sabe o que aconteceu com ele durante esse tempo? Talvez aquele monte de cinzas ali seja ele... Harharhar!” 

“O que você quer dizer?”, perguntou Tabea furiosamente, enquanto Emilio chutava Beefo na barriga pelo seu comentário desrespeitoso.

“Nada, eu não tenho ideia de onde ele está”, ele murmurou. “Quando entreguei o chapéu, dois daqueles demônios me deram uma surra. Eles me rasgaram como uma sacola de papel, me deixaram aqui para morrer e levaram o chapéu com eles. O, companheiros deles, porém, ficaram e causaram todo esse caos. Massacraram meus homens e destruíram minha cidade enquanto eu estava caído aqui, tentando manter minhas tripas para dentro. Fridolin, aquele maldito, deve ter se aproveitado do caos para se libertar de suas correntes. 

Eu estava cercado por fogo e fumaça, o que limitava minha visão. Eu só conseguia distinguir sombras vagamente, enquanto o ar era preenchido por gritos de agonia dos meus homens e rugidos triunfantes de demônios. Mas eu tenho certeza de que, no meio de todo este tumulto, eu reconheci sua voz pronunciando utito tempo san.

Como eu disse, as chamas banhavam as ruas em uma luz bruxuleante e eu só podia ver as silhuetas maciças dessas criaturas recuando sob um mar de flechas que choviam sobre eles e os faziam cambalear. Fridolin pode ser um maldito traidor, mas esse cara sabe usar seu arco. Acredite em mim, foi um prazer ver aquelas flechas perfurando a pele encouraçada dos demônios."


"E, depois, o que aconteceu?"

"Eu não tenho ideia e estou me repetindo aqui. Tudo o que eu podia ver eram silhuetas indefinidas lutando entre as chamas ardentes. A julgar pelos gritos e uivos dos demônios, toda flecha encontrou seu alvo. No entando, minha perda de sangue escureceu minha visão cada vez mais até que finalmente perdi a consciência.

A próxima coisa de que me lembro é a sua cara de idiota, Tibicus."

"Onde exatamente eles lutaram?", Tibicus perguntou, ignorando o insulto trivial.

"Lá!", Beefo apontou o dedo para o norte.

Tibicus e seus dois companheiros caminharam cuidadosamente até o local, sempre procurando por pistas sobre o paradeiro de Fridolin.

"Se bem me lembro, este deve ser o Magic Bazar, ou pelo menos o que resta dele", disse Emilio, enquanto eles estavam em pé nas ruínas cobertas de carvão de Mystic Lane. Os restos dos muros quebrados estavam cheios de manchas fumegantes cuja consistência gelatinosa lembrava lava derretida.'

"Isso é sangue de demônio", Tabea averiguou. "Este tem que ser o lugar de que Beefo estava falando."

Quanto mais eles entravam na ruína, mais sangue de demônio eles encontraram espalhados pelas paredes. Eles continuaram até chegarem ao centro da antiga loja de magia, onde encontraram três pontos que estavam apenas escassamente cobertos com flocos de cinzas. Em vez disso, muitas fissuras podiam ser vistas no solo exposto.

"Eu já vi isso antes...", Tibicus murmurou enquanto seguia as linhas finas com os dedos.

"Os demônios rompem a superfície com suas garras quando eles sobem das profundezas. Ironicamente, apesar de todo o caos e destruição que eles costumam trazer à nossa terra, eles são meticulosos sobre selar novamente esses abismos quando eles retornam ao seu mundo de chamas. Estas fissuras finas só aparecem quando algo que não pertence ao abismo é levado para lá."

"Você quer dizer...?", Tabea disse, hesitante.

"Eu quero dizer um ser humano. Os tibianos não pertencem ao mundo dos demônios. Sua presença perturba o equilíbrio mágico, deixando essas fissuras finas para trás."

"Isso significa que Fridolin está...", Tabea ainda não se atreveu a dizer o óbvio.

"...provavelmente no mundo dos demônios", Tibicus completou seu pensamento.

"E-e-e agora? Como podemos tirá-lo de lá?"

"Receio que há pouco que possamos fazer! Entrar no mundo deles é impossível para seres mortais como nós".

"M-mas deve haver algo que podemos fazer!

"Somente os demônios mais poderosos são capazes de atravessar essa barreira com um corpo estranho. Sinto muito Tabea, mas nós estamos de mãos atadas."

Aos prantos, a jovem feiticeira desmoronou e soluçou em suas mãos. Tibicus se aproximou dela e colocou a mão em seu ombro. "Sinto muito, eu sei o quanto ele significava para você."

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